Tatuagem, até quando?

Na época de minha adolescência, fazer uma tatuagem era um gesto de rebeldia. O sujeito aparecia com uma âncora no braço e a família já imaginava que ele abandonaria os estudos, embarcaria num navio e terminaria preso em algum porto estrangeiro.

MaisPB ·kubitschek ·8 de outubro de 2026 · 10h06
Compartilhar
Tatuagem, até quando?
Foto: Reprodução / MaisPB

Na época de minha adolescência, fazer uma tatuagem era um gesto de rebeldia. O sujeito aparecia com uma âncora no braço e a família já imaginava que ele abandonaria os estudos, embarcaria num navio e terminaria preso em algum porto estrangeiro. Hoje, a âncora pode pertencer a um dentista, a caveira a uma nutricionista e o dragão a um funcionário do cartório. A tatuagem, como tantas rebeldias bem-sucedidas, acabou aceita pela sociedade que pretendia desafiar. Quando ingressei na magistratura, em 1989, seria impensável a aprovação de um candidato a juiz que ostentasse uma tatuagem. Hoje vemos juízes e juízas tatuados. A toga, ao que parece, aprendeu a conviver com a tinta na própria pele. Dizem que tatuagem é uma espécie de quadro que se leva no corpo. Faz sentido. Em vez de pendurar uma paisagem na sala, pendura-se um tigre no antebraço. Mais intrigante é quem escolhe as costas: pensa longamente no desenho, enfrenta agulhas, paga caro e entrega a contemplação aos outros. É como comprar um quadro e pendurá-lo na casa do vizinho. A tatuagem já tinha lugar garantido na música. Chico Buarque cantou o desejo de ficar no corpo do outro “como tatuagem”.

Esta é uma chamada. O texto acima é um trecho da matéria publicada por MaisPB, citado com atribuição. A apuração, o texto completo e as imagens pertencem ao veículo de origem.

Ler a matéria completa em MaisPB →