As mães são cipós de mofumbo enviados por Deus
Eu era um garoto medroso, bem medroso. Se pudesse, fugiria de qualquer briga como o diabo foge da Cruz. No entanto, logo aprendi: o medo cede à valentia quando outra solução não há. Haviam marcado o chão com dois riscos e um deles representava minha mãe.
Eu era um garoto medroso, bem medroso. Se pudesse, fugiria de qualquer briga como o diabo foge da Cruz. No entanto, logo aprendi: o medo cede à valentia quando outra solução não há. Haviam marcado o chão com dois riscos e um deles representava minha mãe. O outro era a mãe de um garoto tão medroso quanto eu, só que eu não sabia essa verdade sobre ele, tampouco ele sobre mim. À nossa volta, a molecada, ávida por sangue e divertimento, se dividia em dois grupos antagônicos. Os que torciam por mim, o faziam por algum tipo de afinidade pouco compreendida. Estava na cara de cada um deles que eu seria o perdedor. Eu tinha certeza. Então, a peleja começou. — Pise minha mãe, pise! – gritava o moleque. Claro que eu iria postergar a luta até que Deus aparecesse. Nessa época eu rezava por medo, ou para fazer algum pedido, principalmente que as almas não me aparecessem `a noite. Tudo era desespero. A reza também, afinal, a arena dos pedregulhos do sítio Saco- Sinhazinha não permitia que o tempo se elastecesse ao meu bel-prazer. A molecada queria briga e Deus estava demorando a chegar. Mas não havia outra alternativa para o tempo. Ele tinha de se amoldar ao jogo de faz de conta dos meninos.
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