Perdemos Marcos Pires

Não, não é brincadeira. Perdemos Marcos Pires e não quero vê-lo morto, jamais. Houve um tempo em que esse cara me salvou várias vezes, e eu queria contar apenas uma delas, mas acho que não vale a pena.

MaisPB ·kubitschek ·7 de outubro de 2026 · 20h03
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Perdemos Marcos Pires
Foto: Reprodução / MaisPB

Não, não é brincadeira. Perdemos Marcos Pires e não quero vê-lo morto, jamais. Houve um tempo em que esse cara me salvou várias vezes, e eu queria contar apenas uma delas, mas acho que não vale a pena. Pra quê? Houve um tempo em que Marcos vinha às festas aqui em casa e dividia histórias e preferências sobre música, cinema e literatura. Só ele falava. Como um rei, quando por unanimidade ou quase nesse jogo tolo da vida de se querer medir tudo, Marcos foi o escolhido da vez, ao partir cedo, antes que a noite chegasse. Ninguém, alguém não mediu com fita métrica, o tamanho da alegria desse cara para saber se de fato ele era o tal. Mas o que é ser o tal? Estava certo, pois a presença de Marcos Pires, quando ocorreria e nos socorria, tinha mesmo a sua perfeição, nem o mais, nem o menos, o Pires da nossa vida não existe mais. Nenhum retrato, seu outro retrato, um metro de sentimentos e ninguém é um metro de nada. Marcos não estava para o poema, quando falava era a prosa da cabeça aos pés, às vezes parecia um leão, nunca um leãozinho, outras vezes era a mãe Dona Creusa em pessoa. Dias sem ele virão, dias escassos para tanto fio da meada.

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