Nunves no espelho da Lagoa
Cinquenta anos de solidão não dão para contar a história de Garcia Márquez, mas talvez para atravessar as noites da cidade velha, entrar numas, até numa colmeia, procurar pela rainha e não a encontrar.
Cinquenta anos de solidão não dão para contar a história de Garcia Márquez, mas talvez para atravessar as noites da cidade velha, entrar numas, até numa colmeia, procurar pela rainha e não a encontrar. Andar por andar andei… Era impossível no final dos anos 70, entrar e se divertir no Cassino da Lagoa, porque eu era um estudante com uma mesada limitada. Domingo saímos para almoçar no Cassino da Lagoa, que é um lugar diferente, para quem quer saltar por sobre as nuvens, refletidas na Lagoa do Parque Solon de Lucena. Aliás, nunca tinha visto tão bela, o espelho refletindo nas nuvens como a abrir oceanos e me atendar para descobertas, desenhar a rosa dos ventos e continuar sem encontrar o norte. No anos 1970 dei passadas alongadas na Lagoa para chegar mais rápido ao Edifício Santa Rita, onde morava a moça bonita do sertão. Eu ia e ia e sabia porque ia. Na Lagoa não precisei pensar em caravelas, navegar pela noite a até à terra apaixonada, enregelar, abrir os olhos no escuro e andar como um vagalume, quando já era já tarde da noite, para dormir na avenida General Osório, a primeira rua da minha vida no litoral.
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