Hóspedes da felicidade
Não fomos a cidade de Areia em busca do tempo perdido – se se perdeu, vamos rencontrá-lo no futuro do pretérito do indicativo e esse tempo, não é o tempo perdido que o escritor francês Marcel Proust tanto buscou.
Não fomos a cidade de Areia em busca do tempo perdido – se se perdeu, vamos rencontrá-lo no futuro do pretérito do indicativo e esse tempo, não é o tempo perdido que o escritor francês Marcel Proust tanto buscou. Penso em alguém que, na manhã do dia de sua morte, desiste de usar a camisa que mais gosta, ouvir aquela canção do Roberto, que a gente dizia – ´é sua cara´, mas o sujeito é teimoso e prefere guardar a camisa listrada para outra festa, que aconteceria na noite seguinte. Puxa vida! No dia seguinte, o seguinte falhou. Todas às vezes que visitamos a cidade de Areia, a primeira coisa que fazemos é ir na Casa da Felicidade, que está fechada há anos. O vizinho Tayrone, que vende cachaça de vários sabores, (inclusive, uma tem o nome de ´Tadala´, numa alusão ao Tadalafila,) ele faz questão de dizer que cachaça traz felicidade e, de supetão perguntei: como é ser vizinho da felicidade? A Casa A Felicidade foi um antigo comércio. Mas um antigo comércio não quer dizer nada e, claro, dinheiro não traz felicidade – O imóvel já funcionava como uma loja de tecidos pelo menos desde o século XIX, aparecendo em mapas da cidade que datam de 1847.
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