Fazendo a cabeça com Cosmo e Damião

Afasto o mal olhado, coloco o chapéu Panamá na cabeça, dou uma volta na sala, fixo o olhar em Cosme e Damião e não tenho mais vontade de comer os doces, mas celebro os dois santos de madeira, que ganhei de Linaldo Cavalcanti.

MaisPB ·kubitschek ·4 de agosto de 2026 · 07h00
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Fazendo a cabeça com Cosmo e Damião
Foto: Reprodução / MaisPB

Afasto o mal olhado, coloco o chapéu Panamá na cabeça, dou uma volta na sala, fixo o olhar em Cosme e Damião e não tenho mais vontade de comer os doces, mas celebro os dois santos de madeira, que ganhei de Linaldo Cavalcanti. Sou um homem de sorte, o primeiro Panamá a gente não tira da cabeça, faz a cabeça já velho e despojado, sou eu um dos ombros da manhã, na lonjura do meu sertão. O chapéu foi um presente de meu amigo Chico Evangelista, sertanejo que nem eu, ô homem bom. Implícitos meus passos no mundo, não me chamo Raimundo, se eu me chamasse Drummond eu seria outro poeta, porque a poesia nos salva nesse país encardido, e tenho que me desnudar, saber pensar as coisas, para poder fazer a cabeça com Cosmo e Damião. Com minhas assas imaginárias eu sou nuvem passageira, um aviso de asas, já é uma cordialidade, nunca uma compaixão, quem perdeu, perdeu, quem achou é seu, é meu. Lutei e ainda luto, nunca de luto – quando uma pessoa vai embora, é porque chegou seu dia, mãe perpetuo socorrei. Nada me impede, nenhum grito pode tardar minha cabeça conectada pelo Panamá – olê, olá.

Esta é uma chamada. O texto acima é um trecho da matéria publicada por MaisPB, citado com atribuição. A apuração, o texto completo e as imagens pertencem ao veículo de origem.

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