Nem tudo que é bonito me convém
Quem não gosta de andar na moda, que hoje não mais produto das grifes de luxo. As grandes redes de varejo mundiais reinventam a moda para popularizar os desejos do inconsciente feminino. Eu gosto da moda.
Quem não gosta de andar na moda, que hoje não mais produto das grifes de luxo. As grandes redes de varejo mundiais reinventam a moda para popularizar os desejos do inconsciente feminino. Eu gosto da moda. Gosto de roupa bonita, de uma bolsa bem transada, de uma produção elegante e até mesmo de olhar uma vitrine sem compromisso e imaginar como eu ficaria naquela produção. Mas uma coisa me incomoda, com a qual rompi definitivamente: salto fino! Já aboli. Não negocio. Em primeiro lugar, o conforto dos meus pés. Hoje, meu salto tem que ser quadrado, firme, civilizado e, sobretudo, comprometido com a minha sobrevivência. A vida já é pesada demais para eu ainda ter que carregar o peso dela equilibrada em dois pequenos pregos de dez centímetros. Aliás, descobri que tenho razão histórica para desconfiar do salto. Seus antecedentes mais conhecidos estão ligados à cavalaria persa: o salto ajudava os cavaleiros a manter os pés firmes nos estribos enquanto combatiam. Ou seja: aquilo começou praticamente como equipamento militar masculino. Depois, em algum momento da história, alguém olhou para nós, mulheres, e pensou: — Vamos fazer com que elas usem isso durante quatro horas numa festa.
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