Garbo Gomes: o poema é sempre pouco

Conheci o poeta Garbo Gomes, catarinense de Joinville, radicado em Curitiba, na fluidez do Facebook. Seus poemas, quase sempre de versos curtos, espremidos, medulares, milimétricos me agradam muito. Tanto pelo recorte minimalista dos vocábulos quanto pelo viés oblíquo e paradoxal de sua visão de mundo.

MaisPB ·kubitschek ·8 de outubro de 2026 · 08h35
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Garbo Gomes: o poema é sempre pouco
Foto: Reprodução / MaisPB

Conheci o poeta Garbo Gomes, catarinense de Joinville, radicado em Curitiba, na fluidez do Facebook. Seus poemas, quase sempre de versos curtos, espremidos, medulares, milimétricos me agradam muito. Tanto pelo recorte minimalista dos vocábulos quanto pelo viés oblíquo e paradoxal de sua visão de mundo. Agora ando às voltas com o seu livro impresso, livro de estreia, poetofrenia metalirica (Curitiba: Toma Aí um poema 2024), convicto de que estou diante de uma voz que provoca e sugere os mais inesperados efeitos semânticos e estéticos. Os seis blocos (posso chamá-los assim), em que se subdivide o conjunto, trazem, respectivamente, epígrafes de Maria Lúcia Alvim, Emily Dickinson, Paulo Leminski, Augusto de Campos e Marina Tzvietáieva. Talvez estas referências sinalizem para um possível paideuma poético do autor e possam apontar para algumas notas de sua dissonância estética e de suas motivações em certo sentido anti canônicas. Os intertextos, as citações, as alusões, os diálogos, as leituras internas me levam a pensar num poeta culto, informado dos percursos teóricos que podem chancelar o fazer e numa poesia que se constrói numa zona tensa de confrontos e conflitos.

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