O sorriso da cidade

Conheci-o em 1979. Meus dezoito anos eram moldados pela beiraderagem, própria de quem nascera e vivera na zona rural por tanto tempo. É verdade que, no meio do caminho, Uiraúna se fizera ponte, mas a cidade era tão pequenina e tão arisca ao meu retraimento, que é certo dizer que fui catapultado diretamente da Serra do

MaisPB ·kubitschek ·18 de setembro de 2026 · 07h00
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O sorriso da cidade
Foto: Reprodução / MaisPB

Conheci-o em 1979. Meus dezoito anos eram moldados pela beiraderagem, própria de quem nascera e vivera na zona rural por tanto tempo. É verdade que, no meio do caminho, Uiraúna se fizera ponte, mas a cidade era tão pequenina e tão arisca ao meu retraimento, que é certo dizer que fui catapultado diretamente da Serra do Desterro para a “cidade sorriso”. Cheguei pisando em ovos, como é da natureza de um matuto típico diante de um mundo novo. Sousa era a minha cidade grande. Eu precisava tateá-la com cuidado para não me perder. Por sorte, ou sina, aportei no bairro da Estação. Em uma quarta-feira. Na quinta, bem cedo, com os sonhos arregalados, querendo engolir a cidade inteira, me esgueirei pelas esquinas das suas ruas, marcando-as com atenção para garantir a volta com segurança. Naquele 7 de setembro, em meio aos dobrados das bandas dos colégios que desfilavam na cidade, abri meu horizonte: um pé cravado em uma casinha assentada no massapê das margens do Rio do Peixe; o outro espiando Sousa, enorme para as minhas pupilas dilatadas. Comparada às metrópoles, a cidade dos dinossauros não é, assim, tão grande; mas as medidas das coisas não cabem dentro delas mesmas.

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