"Glauber Rocha foi o mais indignado de nós"

“Sua breve vida. Sem pele, com a carne exposta. Capaz de gozo decerto, não é, Glauber? Mas mais capaz de dor, da nossa dor. Uma vez, eu não vou esquecer nunca, Glauber passou a manhã abraçado comigo chorando, chorando, chorando convulsivamente.

Jornal da Paraíba ·Silvio Osias ·24 de agosto de 2026 · 01h50
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"Glauber Rocha foi o mais indignado de nós"
Foto: Reprodução / Jornal da Paraíba

“Sua breve vida. Sem pele, com a carne exposta. Capaz de gozo decerto, não é, Glauber? Mas mais capaz de dor, da nossa dor. Uma vez, eu não vou esquecer nunca, Glauber passou a manhã abraçado comigo chorando, chorando, chorando convulsivamente. Eu custei a entender, ninguém entendia, que Glauber chorava a dor que nós devíamos chorar, a dor de todos os brasileiros. O Glauber chorava as crianças com fome, o Glauber chorava esse país que não deu certo, o Glauber chorava a brutalidade, o Glauber chorava a estupidez, a mediocridade, a tortura e não suportava, chorava, chorava, chorava… Os filmes do Glauber são isso, é um lamento, é um grito, é um berro. Esta é a herança que fica de Glauber. O que fica de Glauber para nós: a herança de sua indignação. Ele foi o mais indignado de nós.

Esta é uma chamada. O texto acima é um trecho da matéria publicada por Jornal da Paraíba, citado com atribuição. A apuração, o texto completo e as imagens pertencem ao veículo de origem.

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