Presidente do STJ nega pedido da prefeitura para liberar obra do Parque da Cidade


				
					Presidente do STJ nega pedido da prefeitura para liberar obra do Parque da Cidade
Parque da Cidade. Foto: Secom-JP/Arquivo/Maquete 3D. Angélica Nunes

O ministro Herman Benjamim, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou pedido da prefeitura de João Pessoa para suspender a liminar do Tribunal de Justiça da Paraíba, que impede a continuidade da obra do Parque da Cidade, no antigo Aeroclube.

As obras estão suspensas desde o início de dezembro do ano passado, por decisão do juiz convocado Inácio Jairo, da 1ª Câmara Cível do TJPB, decidiu revogar uma decisão de primeiro grau que havia liberado a obra.

A prefeitura recorreu ao STJ, alegando que a suspensão da obra causa grave lesão à ordem e economia públicas, prejudicando o desenvolvimento sustentável e o investimento público.

Além disso, defendeu que os estudos apresentados – um Relatório Ambiental Simplificado (RAS) e um Plano de Controle Ambiental (PCA) – seriam suficientes para garantir a segurança ambiental do empreendimento.

Decisão do ministro

Na decisão, Herman justificou que “a implantação de empreendimento em espaço já degradado – mesmo que por atos criminosos de terceiros – não exonera a Administração ou o particular de recuperar, com espécies nativas, a biodiversidade originalmente existente (= princípio da melhoria da qualidade ambiental), sobretudo em se tratando de vegetação de restinga e de cordões arenosos, ecossistemas criticamente ameaçados no litoral brasileiro”.

Ainda segundo o relator, é competência do Pode Público “proteger com o máximo rigor a integridade de lagos, lagoas e lagunas, que constituem bem público por natureza, insuscetíveis de soterramento ou destruição, caracterizadas suas margens como Área de Preservação Permanente”.

Relembre o caso

No último dia 26 de junho, a juíza Érica Virgínia da Silva Pontes, da 6ª Vara da Fazenda Pública de João Pessoa, atendeu pedido do Instituto Protecionista SOS Animais e Plantas e determinou que a prefeitura da suspenda as obras do Parque da Cidade

A entidade apontou riscos para preservação ambiental na área com os serviços, dentre eles o risco com incêndio e extração ilegal de madeira no local e, principalmente, com o aterramento da Laguna que, conforme a decisão, “abriga uma enorme diversidade de fauna e flora”.

A decisão ocorreu no mesmo dia em que o prefeito Cícero Lucena (PP) assinou a ordem de serviço para a segunda etapa da obra, que prevê a requalificação de mais vias do entorno, ciclovias, estacionamento, além da implantação de um túnel que interligará os bairros Aeroclube e Manaíra.

Em julho, a prefeitura de João Pessoa recorreu à Justiça para tentar destravar as obras do Parque da Cidade. Ambientalistas recusaram plano da prefeitura e a Justiça cobrou a apresentação de um estudo de impacto ambiental.

A prefeitura também recorreu ao Tribunal de Justiça, mas o desembargador José Ricardo Porto, decidiu que os fatos alegados pelo Município são insuficientes para uma deliberação, sendo imprescindível a produção de provas, principalmente o estudo de impacto ambiental.

No início de outubro, o Instituto entrou na Justiça, após gravar máquinas circulando no canteiro de obras. A Justiça concedeu prazo para explicação da prefeitura, que recorreu, conseguindo destravar a obra.

A juíza Ivanoska Maria Esperia Gomes dos Santos, da 6ª Vara de Fazenda Pública da Capital, então, liberou o empreendimento, mas o juiz juiz convocado Inácio Jairo Queiroz, da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Paraíba reverteu a decisão. Ele entendeu que a juíza de primeiro grau, que havia autorizado a retomada do projeto, desrespeitou regras processuais e contrariou entendimento anterior do TJPB, que já havia determinado a necessidade de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA).

Parque da Cidade

O projeto do Parque da Cidade, orçado em R$ 120 milhões, abrange uma área de mais de 250 mil metros quadrados e inclui ciclovias, pistas de caminhada, áreas de lazer, espaços educacionais e medidas compensatórias para preservação ambiental.

O projeto paisagístico foi desenvolvido pelo renomado Escritório Burle Marx, visando integrar áreas verdes com a malha urbana, proporcionando melhor qualidade de vida aos moradores.

Fases de Execução:

Primeira Etapa: Concluída, incluiu a ampliação das vias de acesso e o contorno ao parque, com investimento superior a R$ 7 milhões.

Segunda Etapa: Prevê investimentos de mais de R$ 125 milhões para a implantação completa do parque, sistema viário associado e a construção de um túnel sob o Retão de Manaíra.

Segundo a Prefeitura de João Pessoa, o parque seria um marco para o turismo sustentável, integrando o corredor ecológico da capital e promovendo práticas de bem-estar urbano.

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Fonte: Jornal da Paraíba

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